martedì, gennaio 10, 2012

Não só apenas travessuras


Com um atraso injustificável, acabo de ler Travesuras de la niña mala, cujo tema central é um amor que surge ainda na infância e que perdura durante 40 anos, que parece fadado a repetir sua desgraça nos quatro cantos do planeta.
O tempo de duração, espera e devotamento desse amor até pode até evocar os “cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com as respectivas noites” que separaram Florentino Ariza de Fermina Daza na obra-prima em língua hispânica El amor en los tiempos del cólera, mas creio que as analogias,quando muito,param talvez por ai.
O destino ou o acaso faz com que os caminhos de Ricardo Socomurcio, o narrador, e Lily (ou Arlete, madame Robert Arnoux, Mrs. Richardson,Kuriko,Otilia, já que ela vai mudando de nome e de nacionalidade ao longa da narrativa) sempre se cruzem.
Aliás, se a vida de Ricardo Somocurcio, merecesse uma trilha sonora, acho que essa seria uma canção bem apropriada. Parece até inspirada em sua trajetória.


Ao seu amor inexplicável, obsessivo e “forçado” na opinião de muitos, não cabe uma linda canção de amor incondicional. Talvez um tango, daqueles bem sofridos, bem intensos, até que combinaria, isso se Ricardo e o seu criador fossem argentinos, claro. Só que estamos falando de dois peruanos. E um deles é o genial Mario Vargas Llosa, a quem tive o prazer de ver, ouvir, dirigir um cumprimento e pedir um autógrafo em 2010, quando esteve pelas pastos de .
No livro em questão, tem-se de um lado Ricardo, um homem estável, de hábitos simples, agarrado aos seus valores pequeno-burgueses, contentando-se com um bom, razoável e seguro emprego, tendo realizado a sua única ambição: viver em Paris. O típico “homem de bem” , por assim dizer. Mas também um tolo sentimental e um romântico incorrigível.
Do outro, está a chilenita ou peruanita ou ...Sabe-se lá!A eterna camaleona que muda de vida a todo instante de acordo com os seus objetivos e a cada novo e oportuno pretendente. Um verdadeiro furação tropical que entra e devasta tudo. Uma alpinista social, fria, calculista, sem escrúpulos.Capaz de se submeter aos mais sórdidos excessos, comprometendo sua sanidade física e emocional ao se entregar a homens dominadores, com personalidades conturbadas. Incapaz de se imaginar vivendo uma vida medíocre ao lado do estável , amoroso e devotado Ricardito, seu porto seguro, uma espécie de constante a quem recorre quando quer se divertir, quando está perdida ou fragilizada. Seria ela incapaz de amar? Se admitirmos que o amor possua infinitas facetas, acho possível afirmar que ela amava o amor de Ricardo por ela. E isso também pode ser uma espécie de amor.
E como conjugar interesses e personalidades tão distintas?Impossível? Não, porque Ricardo, além de nutrir uma paixão profunda (o que, por mais que eu não entenda, já bastaria para desobrigá-lo de qualquer outra razão...) incorpora a tolerância, a devoção, a compaixão quando o assunto é a niña mala.
O que é interessante é o fato de mesmo sendo Ricardo considerado um eterno romântico, inclinado à “breguices” como diria a personagem feminina, esta não era uma donzela idealizada, ele sabia dos riscos de deixá-la entrar na sua vida, consciente dos riscos de amar alguém sem nenhum escrúpulo. Afinal, as pessoas são o que são...E o pior é que ainda se ama, mesmo sabendo justamente disso.
Por isso, cada vez que ele telefonava para casa e ela não atendia, o primeiro pensamento era sempre de que ela fugira com outro homem, rico e socialmente mais interessante. Ele se dispunha sempre a correr riscos, ainda que soubesse que no fim, seria apenas ele a lamber as feridas desse amor profundo, irresistível, do qual ele não consegue se libertar, embora até tente.
É interessante notar que o niño bueno apenas a aceita como ela é, com todos os arrasadores defeitos, buscando justificar a sua personalidade esquizoide em um passado de pobreza, de miséria humana, que teria moldado seu caráter. Ou a falta dele, enfim....
Talvez isso seja um artifício mental do narrador para tentar explicar o inexplicável, para que ele mesmo, inconscientemente, se perdoe por tolerar as “travessuras” da niña mala, tentando demover o leitor de qualquer antipatia com aquela a quem chama de pobrecita, podendo, inclusive, induzir alguém a correr o risco de tentar resumir o enredo na narrativa em “obsessão autodestrutiva por um amor impossível”, questionando qual seria o trágico fim da personagem, já que a relação com Lily (ou com qualquer uma das outras) está sempre fadada a ser interrompida por ela a qualquer momento.
Diria que as coisas não são tão simples assim...
Ainda que Ricardito quase venha a se matar, tomado pelo desespero produzido pelo sempre iminente abandono, no final das contas, é sua vida regrada, comedida e sem grandes aventuras que acaba perdurando, em oposição às escolhas de Lily , que acabaram, de certa forma, a levando à sua condenação. O próprio Ricardo já antevê os resultados ao analisar os excessos e o desprendimento da vida desregrada da amada: 
La ingenua creía que esas aventuras de contrabandista y traficante, jugarse la libertad en los viajes africanos, condimentaban la vida, la hacían más suculentas y divertida. Me acordaba de sus palavras: 'Haciendo estas cosas, vivo más'.Bueno, quien juega con fuego tarde o temprano termina por chamuscarse.
 E a ideia de que o fim trágico parecia ser o desfecho esperado à irracionalidade do amor(sim, o amor é irracional, nós é que tendemos a racionalizá-lo em demasia e por isso os finais são mais ou menos felizes), dá lugar a um curioso contraste entre pessoas de naturezas tão distintas. Convém ressaltar que a postura de Ricardito sempre foi a de espectador  diante dos mais diferentes fatos (revolução Cubana, movimento da contracultura, crise política no Peru,etc.) e essa conduta apenas se altera quando a amada surge e resurge, como vento que atiça as chamas de uma fogueira.Ela o impulsiona, movimenta, tornando-o efetivo partícipe da sua própria vida que ele parece apenas "deixar passar" , concretizando seu objetivo: "morirme de viejo en París".
E vidinha, a priori medíocre e simples, vivida por ele parece ganhar significado contraposta ao vai e vem errante da peruanita, que concede, ao seu modo, ao solitário Ricardo um pouco de amor. Amor?
Não, certamente alguém dirá que não se trata de amor.
Mas esqueça o idealizado amor platônico, o amor sublime, os clichês românticos, os contos de fadas, a ilusão de que é o amor a panaceia de todos os males.
Aquele que já amou de verdade bem sabe que o amor não é feito apenas de suspiros e bater de pestanas. Não é só belo, inspirador e deleitoso. Ele também pode ser difícil, doloroso, tenso, cruel, manipulador, sujo e...Malvado. Ou você realmente acreditava que era apenas obra do acaso ou da língua “amor” rimar com “dor”? Peço desculpas se minha meia dúzia de palavras venha a destruir os muros do lindo castelo nas nuvens de algum leitor mais “desavisado” (a propósito: papai-noel e coelhinho da páscoa também não existem...)mas nós bovinos não somos dados lá a muitas sutilezas.
Bem se sabe que o amor não tem um único formato, nem uma estrutura fixa. Alguns têm a sorte de se deparar com manifestações mais belas,serenas, profundas, outros, nem tanto.
E uma das coisas mais surpreendentes do amor é justamente conseguir esquecer, ainda que seja por uma única noite “the ten million things that make people think "I don't love this person, I don't like this person, I don't know this..."   e levar  a pensar que “Instead, it was perfect and they were perfect and that's all there was to know about them”.
E assim, Ricardo e Lily, entre uma travessura e outra, foram perfeitos. E foi esse o pensamento recorrente de Ricardito durante 40 anos. E se isso, na minha humilde e bovina opinião, não puder também ser chamado de amor, recomendo voltar a acreditar no Papai-Noel e no Coelhinho da Páscoa, pois para isso, basta ser um niño bueno. Já para amar, só isso não é suficiente. Afinal, você pode, como Ricardito, vir a precisar de uma niña mala. Ou, quem sabe, só de algumas doces, sedutoras e desconcertantes travessuras...


lunedì, gennaio 02, 2012

Ano Novo ?

Um novo ano se inicia. Tá, ok. Eu até consigo entender o conceito: o ser humano precisa viver essa ilusão de término, de encerramento de um ciclo (aliás, sempre insatisfatório, porque ninguém morre de amores pelo ano  passado. Já perceberam que  ninguém diz "não quero que o ano acabe?") e de um novo começo. 
Afinal, deve ser reconfortante acreditar que tudo aquilo que vc vivenciou em 2011 está oficialmente encerrado na meia noite do dia 31/12....Só que, sinceramente, para mim, isso não faz diferença alguma.Aliás, eu acho extremamente irritante ser obrigada a comemorar com data e hora marcadas (o que mesmo????O que raios o pessoal comemora???).
Vejam bem, já estamos oficialmente em 2012, e eu não me sinto diferente, meus problemas continuam os mesmos(meu pé doí ainda, minhas calças continuam apertadas e eu estou no mesmo lugar, parada), minhas necessárias mudanças (ou resoluções de Ano Novo, se vc preferir) são exatamente aquelas que deveria ter implementado nos 365 dias do ano anterior (e em todos os outros, diga-se de passagem) . Enfim, o ano até pode ser novo, mas eu não sou...Não tenho instrumentos ou meios que permitam recomeçar o que não se encerra.Porque, afinal, é fato: a vida não pára (logo,logo, definitivamente, sem acento!Bom, a única  grande mudança anunciada ao término de 2012: a ortográfica). E quem somos senão a soma de muitos anos novos? E todos eles nos acompanham, a cada virada.Não dá para deixar um deles para trás.Ou dá ???Ah, se vc conseguiu realmente se livrar de alguns anos ou apenas de um, por favor, compartilhe com o resto da boiada a fórmula mágica.
Preciso confessar que realmente admiro aquelas pessoas que conseguem vislumbrar no réveillon um novo recomeço, o prenúncio de novas e infinitas possibilidades. Sou cética demais para acreditar. "Crer" , definitivamente, é um verbo que não conjugo com muita frequência. E assim sendo, o tão badalado ANO NOVO , para mim, é  apenas  um novo cronograma imposto e artificial a ser cumprido, pois a definição de ano, como entendemos, é só mais uma invenção humana para tentar controlar as forças da natureza. 
Além disso, o tempo, para nós ruminantes, tem uma contagem interna diferenciada.Ele não é contado em dias, meses e muito menos em anos. O tempo, para nós, é aquilo que fica , quando todo o resto vai embora....

Em todo caso, não posso ser uma bovina antissocial como um touro bravo, então lá vai:

Desejo um 2012 repleto do que vc quiser. Escolha a opção que mais lhe agradar e corra atrás. 
E que vc possa ter sempre escolhas, perspectivas e desafios. Afinal, os sonhos vêm e os sonhos vão . E o resto é imperfeito...

venerdì, dicembre 23, 2011

Henry Rollins é bem mais do que um liar


As ondas revoltas da internet (ou o acaso objetivo) me levaram até uma citação de um livro que, ao que tudo indica, se chama Solipsist, de autoria do interessante Henry Rollins.

Lembro que o moço chamou minha atenção lá pelo remoto ano de 1994, quanto aparecia pintado de vermelho e intensamente performático(além de gostoso!!!!) no clipe de Liar. E que fêmea, seja ela ruminante ou não,  não gostaria de ouvir as seguintes palavras:

You are beautiful like demolition. Just the thought of you draws my knuckles white. I don’t need a god. I have you and your beautiful mouth, your hands holding onto me, the nails leaving unfelt wounds, your hot breath on my neck. The taste of your saliva. The darkness is ours. The nights belong to us. Everything we do is secret. Nothing we do will ever be understood; we will be feared and kept well away from. It will be the stuff of legend, endless discussion and limitless inspiration for the brave of heart. It’s you and me in this room, on this floor. Beyond life, beyond morality. We are gleaming animals painted in moonlit sweat glow. Our eyes turn to jewels and everything we do is an example of spontaneous perfection. I have been waiting all my life to be with you. My heart slams against my ribs when I think of the slaughtered nights I spent all over the world waiting to feel your touch. The time I annihilated while I waited like a man doing a life sentence. Now you’re here and everything we touch explodes, bursts into bloom or burns to ash. History atomizes and negates itself with our every shared breath. I need you like life needs life. I want you bad like a natural disaster. You are all I see. You are the only one I want to know.



martedì, dicembre 20, 2011

And who by fire, who by water...And who by Leonard Cohen

Em um ameno fim de tarde, enquanto a cidade segue no ritmo caótico pré-natalino, permaneço em minha prisão sem grades,  imposta pelo meu próprio corpo.
Para acalentar os meus muitos e inacessíveis desejos, apenas a voz doce, quente e deleitosa do menestrel dos menestréis...


venerdì, dicembre 09, 2011

Divirta-se na bolha , mas deixe o cérebro antes de entrar...

Acabei de ler dois artigos e ambos abordam um assunto ao qual todos os usuários da Internet deveriam, pelo menos, dedicar alguns nanos segundos de reflexão.Não que as discussões propostas pelos autores sejam grandes novidades: na verdade, não o são.A questão é que pouquíssimas pessoas sequer perceberam que poderiam existir tais argumentos.E é justamente aí que mora o perigo.Afinal, não há como negar que o uso da internet e das memórias eletrônicas têm formado/emburrecendo uma geração. Como?Muito simples. Apelando para exemplos práticos, você não se dá mais ao trabalho de memorizar mais o telefone de ninguém, pois o celular faz isso por vc.E nem precisa se preocupar como se escreve "exceção" porque o corretor ortográfico está ali para corrigir os erros.Ah, e vc acaba obtendo informações sobre seus amigos através do Facebook, assimilando-as como uma série de dados indistintos, desprovidos de emoções e de relações factuais e linguísticas de interação. E tudo ocorre de forma tão imperceptível, automática, que para confirmar alguma informação ou até mesmo para atribuir um juízo de valor sobre algo, o primeiro passo é  "jogar no Google" antes mesmo de tentar forçar a sua própria  memória para obter ou julgar aquele dado. (Sim, eu não nego que sou uma saudosista, pois sinto falta dos bons tempos em que corríamos para uma estante de livros e não para um teclado de computador...)
Pois bem, voltando aos artigos, o  primeiro, intitulado Lobotomia Globale  refere a questão da personalização dos sites de busca, mas especificamente do Google.Não é de hoje que é possível perceber que, ao buscar uma determinada informação, até mesmo a ordem das páginas relacionadas levará em questão não só minhas buscas anteriores(além do irritante recurso de autocompletar que me faz buscar sem querer um monte de absurdos) bem como minha localização e perfil de usuário e até as lojas em que andei comprando. É por isso que os computadores mostram resultados diferentes para as mesmíssimas palavras pesquisadas.Faça um teste: coloque uma palavra qualquer no seu pc pessoal e em outro compartilhado . A apresentação dos resultados e até mesmo o número de ocorrências serão diversos.
O que o artigo em questão se propõe a discutir é justamente isso. As diferenças baseadas em perfis de utilização. O que está por trás disso é a tão bem dissimulada personalização, vendida como algo que visa deixar o seu computar com a "sua cara" . Ou seja, quando vc acessa algo, uma música, um vídeo, um e-mail, são capturadas as suas informações e o site de busca passa a "propor" uma série de sites correlacionados com algo que poderia interessar aquele usuário específico em virtude do conteúdo acessado.Só que , na verdade,a meu ver,  isso se trata de uma invasão!Consentida, claro. Nós deixamos, numa boa, mesmo!
Pouco a pouco são impostos conteúdos, influenciando as suas escolhas, induzindo o consumo de determinados produtos e serviços, limitando a sua capacidade de discernir sobre os fatos. E não é só isso. Se essa invasão silenciosa permite saber o que eu consumo, leio, ouço , por que não supor o que eu penso? Teoria da Conspiração??? Não, já que os programadores se tornaram uma espécie de "porteiros " que passaram a decidir quais são as origens dos conteúdos que passam a entrar no meu computador.
Além disso, limitar o meu universo a apenas aquilo que eu conheço, deixando-me em uma situação de conforto,de familiaridade, acaba prejudicando até mesmo o meu senso crítico, já que me impede de enxergar além da bolha virtual que o Google acabou criando, em conformidade com a minhas escolhas. Ter acesso as mais diferentes e divergentes opiniões,  manifestações e expressões culturais foi o que fez com que a Internet fosse intitulada Aldeia global. Só que, infelizmente, os homens dos  bits e bytes (e milhões) querem deixar cada um de nós trancado na sua própria oca, deixando que algoritmos guiem as nossas escolhas.
Já o segundo artigo, ataca outro tubarão da net: o Facebook. Ou melhor, critica um "novo conceito" de uso da Internet defendido pelo criador do site de relacionamentos,  Mark Zuckerberg. A bola da vez atende pelo nome de "compartilhamento sem fricção" , ou seja o registro e compartilhamento automático com seus amigos dos seus produtos favoritos(filmes, músicas,livros e artigos lidos), permitindo que seus amigos "descubram mais conteúdo interessante de forma automática" . E isso sem precisar "curtir" nada... 
Claro que ninguém é obrigado a fazer uso do Facebook , mas independente de ser ou não usuário, cabe discutir a ideologia por trás do conceito, já que compartilhamos todos o mesmo ciberespaço. Resistir ao fato de ter tudo compartilhado é lidar com o medo de uma " vigilância onipresente".E mais. É encaixar cada usuário no que Eli Pariser, o autor do artigo anterior, denomina "má teoria de personalidade". As empresas iriam partir de "suposições incompletas sobre quem somos", baseando-se em nossos itens de consumo (livros, músicas,filmes) e buscando nos enquadrar em alguma categoria " pré-existente de marketing", fornecendo assim conteúdo apreciado apenas por outros indivíduos da mesma categoria. Mas uma vez,nos colocam dentro de uma bolha virtual. 
E, ao que tudo indica, parece que nos deixar dentro da bolha se tornou uma tendência. 
Que motivações escusas podem haver por trás da tal política de funcionalidade, praticidade e "perfil amigável"? Será fazer com que todos nós venhamos a nos sentir  , como o autor do artigo bem coloca , " a pior paródia do Vale do Silício, onde todo mundo supostamente sorri e se sente bacana o tempo todo"?

E como navegar é preciso, aprenda a nadar antes que seja tarde.E com cautela, porque os oceanos virtuais estão cheios de tubarões...

giovedì, dicembre 08, 2011

Rugas da separação??

Fátima Bernardes abandonou o marido. Ops, abandonou a bancada do marido. Depois de quase catorze anos apresentando o JN, ela deixa a companhia do grisalho William Bonner para a Fantástica Patrícia Poeta.
Se a desculpa paralela para o afastamento for verdade, ou seja, as rugas da apresentadora (!!!!) estariam em evidência em virtude das imagens em alta definição,acho a troca lamentável.Ô motivo mais besta, sô!Agora a carreira na tevê será limitada pelos seus pés de galinha??Ah, era só aplicar botox na menina, gente!Não é assim? Vc disfarça a passagem dos anos agulhando os seus ângulos. Simples , não???
Mas enquanto o Homer estiver assistindo ao JN, imagino que isso não faça a mínima diferença.
E como não sou uma Simpson , ainda fico com os canais de notícias cujos editores não menosprezem a inteligência e o senso crítico do público, se comprometendo apenas com a boa , velha e utópica prática de transmitir a notícia em tempo real (seja lá a dimensão que isso venha a adquirir...)

mercoledì, dicembre 07, 2011

Um passo para frente e outro para trás

Pois bem, caros bovinos amigos...
Hoje faz exatamente 4 meses que quebrei minha patinha. Passado todo esse tempo, momentos de desespero e otimismo se tornaram minha rotina. Explico: há dias (poucos) em que meu pé está quase normal, ligeiramente dolorido, a ponto de permitir com que eu consiga  fazer com entusiasmo todos os meus exercícios da fisio. Olho no espelho e me imagino correndo pelas pradarias, leve, livre, solta.E mentalizo: é só questão de tempo, dias, semanas e...Voilà
Mas há também os bad days, em que tudo doí, desde as crinas ao casco. O pé incha muito, muda de coloração assustadoramente  e mal consigo caminhar para frente repetindo o comando "calcanhar-meio do pé-ponta do pé". Enfim,minha recuperação tem sido lenta e não progressiva, tipo assim, caixinha de surpresa!Nunca sei o que meu pé irá reservar para a fisio....
Enfim, sigo tentando,pseudo-troteando lenta e vagarosamente, com uma sensação de angústia no peito, vendo o mundo se mover enquanto eu, claudicante, faço planos para um ano que não tem data para começar , pois  ele só começa quando puder voltar a ser eu mesma de novo...E, hoje, ainda não sei quando...
Pelo menos, na minha atual situação, tenho uma vantagem sobre o resto do rebanho: não terei que arrancar pelos, bater cascos e zanzar por ai  e muito menos me endividar com os fatídicos presentes natalinos. Já pode-se sentir a tensão e o estresse noelísticos na voz e no comportamento das pessoas.  Enquanto falava com uma amiga, ao telefone, ela se lamentava sem parar por não saber o que dar presente e o quanto não estava com saco de sair por ai.Disposição zero. Pelo menos desse mal, dessa vez, estou livre.
E, plagiando às avessas um velho amigo, posso afirmar que há luz no porão do fundo do poço em que me encontro....  

giovedì, novembre 10, 2011

Das Imobilidades

 Para quem não sabe, esta bovina que vos muge está com uma das patinhas quebradas, resultado de um acidente de locomoção.Pois bem, o negócio não foi uma leve tropicada nas pedras do caminho....Longe disso!
Quebrei três ossos da pata esquerda, um deles chamado cuboide, (cuja sílaba inicial indica o que significa quebrá-lo). Passei por uma intervenção cirúrgica , com direito a seis parafusos e quatro fixadores externos. E como desgraça pouca é bobagem, estou sem pisar no chão há exatos três meses e três dias...Quando volto a trotear??Ninguém sabe, ninguém viu...
Bom, ruminante que sou, essa longa pausa forçada me fez refletir sobre uma série de coisas. Aliás, não há como não se tornar um ser reflexivo, já que a sua vida está ali, parada, enquanto todo o resto do rebanho segue o seu rumo.

Dentre as minhas “pseudo grandes constatações”, algumas posso compartilhar com a boiada. Quanto as outras, deixo-as a cargo dos meus estômagos, para que eles sigam ruminando,ruminando, até que eu volte a ser o que eu era. Afinal, eu voltarei ao que era antes? Assim que tiver uma resposta para essa pergunta, posto por aqui.
Até lá, deixo para vocês meu top ten  de recomendações para ruminantes imobilizados .
Lá vai: 
  1. Por mais independente que você seja, não há como não recorrer à ajuda alheia.Se antes você fazia tudo, tudo sozinho, prepare-se! Você agora será quase um bezerrinho (e mal humorado, faz parte da situação de dependência) que precisará que alguém providencie algo bem básico: água e comida. Eu bem que me virei sozinha algumas vezes, mas não posso dizer que me alimentei corretamente ou que não corri riscos ao empurrar 5L de água mineral com uma das muletas. Enfim, por mais solitário que vc seja e se orgulhe disso, numa situação dessas, vc quer mesmo é uma multidão para auxiliar, de modo a evitar sobrecarregar um único familiar  específico.
  2. A vida do resto da boiada não tem absolutamente nada a ver com a sua.Ninguém vai deixar de fazer ou adiar nada porque você resolveu quebrar a patinha.Então, o resto da boiada se casa, se separa, começa relacionamento, termina relacionamento, muda de país,de cidade, de emprego, faz concursos,cursos, tem filhos, batiza os filhos, ,vai a shows imperdíveis, vai ao cinema,a eventos.E a pior parte: decide coisas por você, pois você não está presente.No meio desse caldeirão de experiências, passamos a ser expectadores mudos da vida alheia(e da nossa tb, diga-se de passagem...).
  3. Como vc depende de outros, não convém achar que a assistência seria como aquela que vc prestaria a si mesmo...Traduzindo; coma o que te derem (mesmo que seja um bife sanguinolento e vc seja um herbívoro.É melhor deixar de lado as preferências/convicções/escolhas para não passar fome/sede). Tome banho no horário que os outros acharem melhor.Acorde na hora do café da manhã alheio.E vista-se com o que trouxeram, caso vc esteja fora do seu curral-lar (no meu caso, as piores peças do meu guarda-roupa, afinal o sujeito que foi buscá-las não sabia onde ficavam as roupas apresentáveis...)Nunca esqueça que a vida dos outros não para por sua causa.Ah, e esqueça o que significa “pontualmente” ou “hora marcada”. 
  4. Não existem palavras de consolo. Por isso, não tente consolar um imobilizado dizendo a ele “poderia ser pior”, “veja pelo lado bom”, “logo, logo você estará bom”. Frase feitas não irão surtir efeito.Vai por mim, não há lado bom nisso tudo e não existe um “poderia”.Tudo isso é ruim pra caramba!Fato.
    Você vai ficar assim:um tipo rústico
  5.  A higiene e os cuidados com o corpo passam a ser deficientes.Aos poucos fui me tornando uma mucca rústica, meio ogra , com pelos, unhas compridas e com o pé soltando pedaços de pele morta por todos os lados... Estou contando os dias para poder ficar em pé,  debaixo do chuveiro, e passar uma tarde no tratador de pelo e cascos para ver se volto a ter alguma beleza!!!Veja, bem, por mais que vc se esforce, tomar banho, cortar as unhas, se depilar acabam virando um bicho de sete cabeças.Se antes vc tomava dois banhos diários, isso se resumirá a um, sentadinho num banquinho, de lado, molhando metade do corpo, porque o pé tem que ficar de fora do box, para não molhar o fixador externo! E para procurar a costumeira ajuda profissional do seu cabeleireiro, sua manicure e outras coisas nenhum pouco fúteis você precisa arquitetar planos mirabolantes que vão desde do acesso ao local (no meu caso , uma escada estreita e traiçoeira me separa da minha tão sonhada depilação da virilha) até a forma como se posicionar durante o procedimento (no primeiro mês,antes de me conformar, não aguentei e fiz as unhas em um espaço minúsculo, com o pé torto sobre uma cadeirinha bemmm desconfortável). Então, por mais que você se olhe no espelho e não se reconheça, segura a onda. A ogrice é passageira e os pinos podem ser permanentes. Assim, convém esperar até a retirada do fixador, pelo menos.
  6. Após meses malhando, correndo e tal, você tinha um corpitcho dentro dos padrões bovídeos de beleza.Nada assim espetaculoso, a ponto de ganhar o primeiro lugar da exposição pecuária,claro. Só que da queda para a perda do tônus e massa musculares foi questão de ...SEMANAS! Nem sei mais o que é uma panturrilha.Sei que tenho uma, em algum lugar da minha patinha esquerda. Isso sem falar na barriga e nos quilos a mais...O Ministério da Saúde Bovina adverte:ficar imobilizado embagulha !!!!
  7. Se você era uma tranquila, alegre e benevolente mucca, vai perceber que sentimentos ruins irão tomar conta do seu coraçãozinho quadrúpede! Isso porque você terá a nítida impressão de que alguém lá em cima resolveu te sacanear mesmo.E assim você irá receber como nunca convites para sair, participar de maratonas, de eventos exclusivos , de passeios imperdíveis, de shows de suas bandas favoritas. Pode acontecer, até mesmo de você reencontrar o grande amor da sua vida de alguma maneira estapafúrdia(alguém lá cima rirá muito com isso) e nem ao menos poderá se encontrar direito com ele .... 
  8. Ainda que você esteja imobilizado, sem compromissos formais, com todo o dia livre, ocupando-se apenas em lamentar o ocorrido, ainda assim você irá perceber que isso não servirá para porra nenhuma!!!!Sim, pois tudo aquilo que você deixou de fazer porque não tinha tempo não dá para fazer imobilizado. Não adianta querer arrumar guarda-roupa e assemelhados, limpar casa,mudar decoração,organizar arquivos, comprar não sei o quê, etc. E se estava pensando em estudar ou ler, bom, você até  consegue, por um curto espaço de tempo. Não há posição ergonômica na situação de imobilizado.Por exemplo, se vc ficar horas com o notebook nos joelhos ou com um livro em mãos você estoura a coluna ou os ombros, ou os pulsos, ou a cervical, ou ...O que ainda está inteiro!  
  9. Ter um médico veterinário gentil e competente faz toda, mas toda a diferença. Fiz minha cirurgia com o quarto profissional consultado e só o fato dele ligar várias vezes para saber se eu estava bem ajudou a enfrentar tudo com mais otimismo.Isso vale para a fisio, tb. Me cerquei de bons profissionais, então tenho certeza que minha recuperação vai dar muito certo...
  10. Mucchina imobilizada -


  11. Viva um dia após o outro. Literalmente. Hoje tudo pode estar uma m...Tudo doí pra c...Vc está um lixo, mas,como dizia o grande poeta, “tudo na vida é passageiro, menos o cobrador e o motorista”. E o remédio para todos os males, o tempo, cura tudo. Desde feridas nas patinhas a corações despedaçados. Tente não se cobrar por não estar fazendo as coisas ou por estar incomodando os demais bovinos da família. Essa linha de pensamento só vai fazer com que vc desça a ladeira do desespero. E se a situação está ruim, por que deixar ainda pior, não é mesmo???

E não se esqueça :Shit happens. Pelo menos, faça da sua merda adubo...

mercoledì, novembre 02, 2011

Por que não ser Charlie Sheen(sendo John Malkovich)?

 O ator John Malkovich está de passagem pelo Brasil com a peça The Infernal Comedy – Confissões de um Serial Killer, um misto de monólogo-comédia-ópera, baseado em uma história real, na qual  interpreta o serial killer de prostitutas Jack Unterweger, um austríaco, cuja história é no mínimo interessante. Em 1974, Unterweger assassinou duas garotas e foi condenado à prisão perpétua.Acabou sendo solto em 1990, devido a uma campanha de intelectuais e políticos, pois julgavam Unterweger um exemplo de reabilitação.Isso porque ele chegou a prisão praticamente analfabeto e lá dentro foi aprendendo a ler e a escrever. Com todo aquele tempo livre, o sujeito acabou não só se tornando um ávido leitor, mas chegou ao ponto de se aventurar como escritor de contos, poemas, peças de teatro e uma autobiografia, Fegefeuer , que acabou se tornando um “best seller”. Nada de tão espantoso assim, já que serial killers geralmente possuem uma inteligência acima da média.A questão é que depois de solto, após alguns meses de liberdade, ele voltou a matar. Quando foi preso novamente no Estados Unidos, em 1994, vendo que dificilmente se livraria da pena de morte, acabou se enforcando em sua cela.
Diria que é um personagem bastante complexo e desafiador, feito sob medida para o talento de John Malkovich que topou excursionar mundo a fora, dando voz ao cultuado homicida.
Fiquei tentada a assistir à peça, mas a curta e restrita temporada (fora o fato desta mucca estar impossibilitada de se locomover...) faz disso um plano fora de qualquer cogitação...
E por falar em John M., acabei de ler uma entrevista que ele concedeu a revista  Veja.Entre uma ou outra declaração um tanto curiosa (por exemplo: "Acho que não conheço bem muito bem o cinema americano, ou o cinema, em geral. Não sou um cineasta, ou um cinéfilo, vejo uma média de cinco a dez filmes por ano. Então, sou um ignorante em termos de cinema."), J.M.disse: Charlie Sheen é o único que gostaria de ter a meu lado durante uma crise existencial.
Fiquei pensando a respeito dessa declaração e acho que compreendi o que realmente ele quis dizer. Não, ele não se referia a Charlie Sheen como um amigo querido, com um ombro reconfortante e disposto a fornecer suporte psicológico em um momento de crise .Não, definitivamente não se trata de nada disso.
E depois de ruminar por alguns segundos, eu só posso concordar com a declaração dele.
Quem mais adequado do que o niilista,bon vivant  e escrachado Charlie para auxiliar alguém em um momento de profunda reflexão sobre a busca de um sentido para vida.De fato, não se trata de um momento em que você queira ou precise de alguma orientação. Você não quer ouvir se o que você fez ou escolheu foi certo, errado ou não resultou em nada. E Charlie, com certeza, não teria nenhum questionamento, crítica ou reflexão que não fosse apenas concentar as sua forças em quem você é , aqui e agora.
Afinal, a vida precisa ter mesmo um sentido? Não é inútil e massacrante viver preso e limitado por "por quê?" e "se"?Acredito mais no poder reparador de uma boa sessão de deleite do que mil indagações para perguntas sem respostas. Claro, que cheguei a essa conclusão após  anos e anos de vagos questionamentos e conjecturas. E algo que Charlie nos ensina é que o botão Fuck It All existe e que deve ser apertado de vez em quando. Claro, não sempre, afinal, como já sabia o latino Horácio,entre outros, o segredo da, por assim dizer,"boa vida" está no equilíbrio entre os extremos e não na negação absoluta deles.
E a maneira com que você encara o estágio intermediário é o que determina a proporção da sua variação pessoal. Então, peço perdão aos filósofos (a quem profissionalmente cabe indagar a respeito do sentido da vida), mas não estou aqui em buscas de respostas, mas sim de possibilidades...
E como disse o próprio Charlie Sheen: É assim que eu faço as coisas. E se é muito esquisito para as pessoas? Adeuzinho..."
Charlie Sheen em Being John Malkovich

lunedì, ottobre 31, 2011

Doces, truques ou filmes


E como hoje é o Dia das Bruxas, não poderia deixar de evocar uma breve seleção de filmes de arrepiar os cabelos, testar a resistência cardíaca e roubar o sono das almas mais impressionáveis.Irei me limitar a apenas três indicações , já que o tempo é breve e tenho doces ou truques a providenciar.


Não irei incluir os velhos e eternos clássicos Nosferatu e Drácula (1931) , mas sim, por assim dizer, novos clássicos. Assim sendo, não poderia deixar de lado O Exorcista(1973). A história da menina possuída pelo demo conquistou uma legião de fãs além de ganhar o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som. Se não me engano, foi também o primeiro e único filme de terror da história a ter sido indicado ao prêmio de Melhor Filme.
Continuando com os novos clássicos, vale lembrar um filme que me assustou quando ainda era uma bezerrinha: A Morte do Demônio(1981). Eu considero o filme um marco, ao ensinar a Hollywood como produzir algo de qualidade com um orçamento diminuto.. As tomadas em que a câmera fazia as vezes de demônio e perseguia os personagens causavam um efeito impressionante e revelavam o talento e a criatividade de Sam Raimi ao mundo.

E para terminar, um filme que não tem nada de sobrenatural, só para nos lembrar que o horror é humano, demasiado humano . Indico um filme que assisti sem qualquer pretensão mas que acabou me surpreendendo pela forma com que a narrativa foi apresentada.Em Rejeitados pelo diabo(2005) Rob Zombie parece ter acertado a mão ao misturar dois ícones do cinema de horror dos anos 70 (Ken Foree e Michael Berryman) a um roteiro com estilo de road movie com clima de faroeste, com direito a perseguição do xerife. O filme , tosco, violento, trash consegue em meio ao rastro de corpos e sangue fazer com que você crie uma certa empatia pela família de psicopatas Firefly.

E para encerrar a noite, nada melhor e mais apropriado do que espantar os seus próprios demônios e soltar as suas feras embalado pela  minha adorada banda de horror punk The Misfits.